Ainda em tempo útil da discussão pública sobre a revisão curricular, Ad duo apresenta três documentos que contextualizam a comparação curricular no 3.º ciclo do ensino básico.
Os documentos, a par do que apresentámos para o 2.º ciclo neste post, tem em conta os seguintes documentos:
Os documentos, a par do que apresentámos para o 2.º ciclo neste post, tem em conta os seguintes documentos:
- Proposta de estrutura curricular do MEC, 2011.dez.12.
As implicações para os professores, relativa à matriz curricular deste ano letivo traduz-se, por turma, numa redução de (4) 2 horas no 7.º ano, (5) 3 horas no 8.º ano e (7) 5 horas no 9.º ano.
Em suma, as implicações em termos de necessidade de docentes para o sistema, traduz-se, por turma, na redução de 22 horas no 2.º ciclo e de (16) 10 horas para o 3.º ciclo.
Por fim, identificámos um dado errado, já corrigido, no post da comparação curricular do 2.º ciclo relativo ao desdobramento nas Ciências da Natureza. O ano em que iniciou o desdobramento foi no ano letivo 2007/2008.
ADENDA:
A questão do desdobamento das CN + FQ não estava bem enquadrado.
De facto, o MEC e a SE não estão a utilizar um conceito adequado: o desdobramento alternado implicaria 5 tempos nos alunos (3+2 e na semana seguinte 2+3) e 6 tempos nos professores - é esta a explicação do MEC, tal como foi apresentado embora refiram que os alunos terão 6 tempos. Na prática, para que os alunos tenham 6 tempos, os profesores necessitam de 8 tempos tendo em conta a questão do desdobramento para a realização do trabalho experimental.
Há mais uma situação que não tinha sido aflorada e que começa a ter contornos de ressurgimento - a continuação da Formação Cívica. Antes, foram os "diretores" a pedir a manutenção da FC e hoje, assistimos à publicação do CNE da recomendação que aqui postámos e da notícia da eventual incontitucinalidade se for suprida do currículo.
Veremos o que os próximos capítulos nos trazem.
Em suma, as implicações em termos de necessidade de docentes para o sistema, traduz-se, por turma, na redução de 22 horas no 2.º ciclo e de (
Por fim, identificámos um dado errado, já corrigido, no post da comparação curricular do 2.º ciclo relativo ao desdobramento nas Ciências da Natureza. O ano em que iniciou o desdobramento foi no ano letivo 2007/2008.
ADENDA:
A questão do desdobamento das CN + FQ não estava bem enquadrado.
De facto, o MEC e a SE não estão a utilizar um conceito adequado: o desdobramento alternado implicaria 5 tempos nos alunos (3+2 e na semana seguinte 2+3) e 6 tempos nos professores - é esta a explicação do MEC, tal como foi apresentado embora refiram que os alunos terão 6 tempos. Na prática, para que os alunos tenham 6 tempos, os profesores necessitam de 8 tempos tendo em conta a questão do desdobramento para a realização do trabalho experimental.
Há mais uma situação que não tinha sido aflorada e que começa a ter contornos de ressurgimento - a continuação da Formação Cívica. Antes, foram os "diretores" a pedir a manutenção da FC e hoje, assistimos à publicação do CNE da recomendação que aqui postámos e da notícia da eventual incontitucinalidade se for suprida do currículo.
Veremos o que os próximos capítulos nos trazem.



10 comentários:
Limitar TIC ao 2.º Ciclo é retrocesso
Os professores de informática consideram um retrocesso limitar o ensino das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) ao 2.º Ciclo, conforme propõe o Governo no âmbito da revisão curricular intercalar, que está em discussão pública.
A disciplina é actualmente leccionada no 9.º ano (3.º Ciclo) e o Ministério da Educação e Ciência (MEC) pretende transferi-la para o currículo do 5.º e 6.º anos para garantir aos alunos mais novos uma utilização “segura e adequada” dos recursos digitais.
A Associação Nacional de Professores de Informática (ANPRI) afirma, no parecer hoje divulgado, que Portugal até foi pioneiro nesta matéria, mas cita os exemplos de Inglaterra e França no investimento que estão a fazer, mesmo quando adoptam medidas contra a dispersão curricular.
O Reino Unido “considerou as TIC em todos os níveis de ensino (stages 1,2,3 e 4)” e França “aposta na certificação de competências dos alunos em TIC em três níveis”, lê-se no documento.
Os professores concordam com a introdução da disciplina no 2.º Ciclo, mas defendem a manutenção no 3.º Ciclo.
“É com bom grado que vemos a iniciação para as TIC num nível de escolaridade mais baixo”, escrevem os professores, sugerindo que a disciplina seja alternada com Educação Tecnológica, com as turmas divididas por turnos.
Os docentes dizem que, sendo as duas disciplinas de carácter bastante prático, este desdobramento permite desenvolver aulas nas quais os alunos “efectivamente trabalham no computador, consolidando assim as aprendizagens”.
A ANPRI alerta ainda que devem ser os professores de informática (grupo 550) a leccionar a disciplina, que afirmam ter sido muitas vezes, em concursos de oferta de escola, atribuída a “docentes sem habilitação profissional ou própria para o exercício da função, à revelia da lei”.
Assim, alegam ser imprescindível que no documento definitivo da Revisão da Estrutura Curricular, esta questão fique “claramente definida”.
Os professores querem ainda manter a disciplina no 3.º Ciclo, por entenderem que a opção pelo 5.º e 6.º anos não é suficiente para o aluno “desenvolver convenientemente literacias” na área da informação, comunicação, produção e segurança digitais.
“Ao nível do 2.º Ciclo há conceitos e aplicações essenciais que ainda são de difícil compreensão para alunos desta faixa etária. E outros que não podem/devem ser abordados por impedimentos legais”, sustentam.
A ANPRI propõe que a oferta de escola, no 3.º Ciclo, seja substituída pela disciplina de TIC, alternando também aqui com Educação Tecnológica.
A associação volta a defender a necessidade da disciplina de informática no ensino secundário, “de onde foi retirada, deixando os alunos com défice de formação” nesta área.
“Os alunos finalizam o 12.º ano (e entram no Ensino Superior) sem conseguirem fazer um gráfico numa folha de cálculo ou sem saberem integrar informação de uma aplicação num documento estruturado”, exemplificam.
Não percebo essa referencia que faz à alternância semanal de meia turma entre CN e CFQ uma vez que dessa forma cada alu só terá por semana 5 tempos de CN + CFQ e não 6.
Essas Ciências também não me parece que estejam bem. O Nuno Crato, no debate parlamentar, disse que, no 3º ciclos, os alunos teriam um bloco (90) de CN e outro de CFQ e ainda desdobramento de 45+45m CN/CFQ. O que dá os tais 6 tempos semanais para os alunos e 4 tempos semanais para os professores.
No Blog "educar a educação" parece-me que existe uma proposta mais correta para os desdobramentos das ciências no 3º Ciclo: "Como já era do conhecimento comum, no 2º ciclo acabará qualquer desdobramento nas Ciências. O que poucos saberiam é que a razão se prende com capacidades incipientes destes alunos para a experimentação!
Relativamente ao modelo de desdobramento das Ciências no 3º ciclo, terá a alternância de um tempo num bloco, ou seja, numa semana os alunos terão:
- 1 Bloco de Ciências Naturais;
- 1 Bloco de Ciências Físico-químicas;
- 1 Bloco para trabalho experimental, alternando um tempo (45 min.) para as Ciências Naturais para o Turno 1 e outro para Ciências Físico-Químicas para o Turno 2, trocando os turnos no segundo tempo do mesmo bloco.
Em suma, tal como consta na proposta de revisão curricular, serão 6 tempos semanais para os alunos (3 por disciplina) e 8 tempos semanais para os docentes (4 por disciplina).
Por cada turma do 3º ciclo cada professor de Ciências Naturais ou de Ciências Físico-químicas terá a carga horária semanal de 4 tempos de 45 minutos.
Dito isto, haverá as críticas de uns, por serem escassos os 45 minutos para a actividade experimental, e a conformidade de outros.
A alternativa, sem mexer na carga horária da proposta, seria esta que fiz aqui.
Assim, também haverá aqueles que prefeririam 90 minutos experimentais alternados quinzenalmente e aqueles que prefeririam 45+45 minutos semanalmente deixando cair o argumento da escassez de tempo para a actividade experimental.
O que eu acho mesmo é que haverá muitos a preferirem o umbigo e que não estão para aqui virados!
Falta ainda saber se o desdobramento no 3º ciclo será obrigatório, ou se continuará facultativo por causa do velho argumento das instalações. Se não há instalações, sejam coerentes e criem-nas!"
A alternância de turnos entre as disciplinas de Físico-Química e de Ciências Naturais do 3.º ciclo foi pensada de modo a manter 2 tempos letivos semanais de 45 minutos para cada uma das disciplinas, sem desdobramento. Os outros dois tempos de 45 minutos são lecionados com a turma desdobrada. Assim, na semana A metade da turma tem aula numa das disciplinas, por exemplo FQ (45+45), enquanto a outra metade tem aula em CN (45+45). Na semana B a situação inverte-se. No entanto, as escolas, no âmbito da sua autonomia, podem encontrar outras formas de concretização da distribuição da carga horária, respeitando sempre o valor global previsto nos horários de alunos e professores.
Enviar um comentário